Prólogo

O Reerguer do Portador da Luz

Nos últimos anos do século XV, a Europa e o resto do mundo passam

por grandes acontecimentos. Na Grécia, o domínio bizantino sobre a milenar

cidade de Constantinopla caiu, e esta passou às mãos dos turcos otomanos. O

Santuário convivia em harmonia com os cristãos, mas a chegada dos turcos

trouxe algumas turbulências à diplomacia do Santuário. Entretanto, o foco

principal dos acontecimentos naquele dia não era na Grécia, mas sim na

região onde hoje se localiza o Iraque, e que antigamente havia sido a cidade

da Babilônia, capital do Império Sumério.

Ali, sob o forte sol que imperava no céu, queimando os olhos e secando

o solo, dois vultos envolvidos em mantos negros se aproximavam de uma

formação rochosa. O mais baixo e atarracado desses vultos caminhava com

alguma dificuldade, enquanto o outro vulto, de contornos esbeltos e caminhar

suave, parecia deslizar sobre o solo.

– Minha senhora – disse o dono do menor vulto -, não entendo por que a

senhora teve de vir até aqui. Eu poderia trazê-lo de volt…

– Por acaso pretendes questionar minhas decisões, Eliphas? O tom de voz da

bela mulher, dona da graciosa silhueta escondida sob o manto, era delicado e

perigoso, como veneno oculto em uma doce taça de vinho. Se eu vim até aqui,

é porque tenho meus motivos. Agora me responda: trouxeste o que te pedi?

– Sim, divina Astarte.

O velho retirou um cantil de couro de dentro de suas vestes, e ofereceu-

o à mulher. Percebendo o olhar de desprezo que ela lhe lançou, ele

rapidamente se dirigiu às rochas que assomavam a sua frente, e derramou o

conteúdo no solo. O líquido, de um vermelho intenso, tingiu o solo, e revelou

uma forma geométrica curiosa, onde uma estrela de seis pontas se encontrava

dentro de um círculo. Astarte dirigiu-se até onde Eliphas havia parado e,

olhando com atenção, murmurou:

– O Selo de Davi. Então é realmente aqui que meu pai foi aprisionado. Agora, é

hora de executar o próximo passo do meu plano.

– Do nosso plano, não é mesmo divina Astart…

A voz do homem foi embargada pelo sangue que começava a lhe subir

à garganta. Com um movimento extremamente veloz, Astarte abriu um

finíssimo, porém profundo, corte na garganta de Eliphas, que caiu de joelhos,

tentando respirar. O sangue encharcava suas vestes, e os últimos suspiros de

vida começavam a escoar. Com um olhar de súplica, que misturava horror e

surpresa, ele consegue murmurar, com grande esforço, suas últimas palavras:

– Por…porque?

Sem se importar com o corpo ensangüentado caído a seus pés, Astarte

se dirige à frente das rochas, e começa a entoar palavras em uma língua

desconhecida. A visão daquela cena começa a ficar embaçada, tornando-se

menos nítida a cada segundo. Ao passo que a visão se torna mais desfocada,

um som começa a se tronar mais claro, como um chamado de alguém que

está distante.

“- Mestre? Mestre? O senhor está bem?”

No alto de Star Hill, um homem vestindo um longo manto branco,

ostentando um elmo que esconde seu rosto, começa a se levantar do chão.

Um jovem alto, trajando uma reluzente armadura dourada, ajudava o Grande

Mestre do Santuário a se levantar. A capa e os longos cabelos negros do

jovem Cavaleiro de Ouro ondulavam sob o vento que soprava na colina. Já de

pé, o Grande Mestre olha para o rosto assustado do rapaz, e pousa

suavemente sua mão no ombro deste.

 

– Acalme-se, Cristos, eu estou bem. O que aconteceu comigo, e por que você

deixou a 12ª Casa Zodiacal sem a minha permissão?

– Perdoe-me Grande Mestre, disse o pisciano enquanto de prostrava de

joelhos. Senti um grande cosmo agressivo dirigindo-se até aqui, e depois senti

a sua cosmo energia enfraquecer muito. Fiquei preocupado com o senhor, e

resolvi vir dar uma olhada no que estava acontecendo, e encontrei o senhor

desmaiado.

O silêncio que se seguiu por um breve instante só era quebrado pelo

som do vento. Então, o Grande Mestre caminhou até as escadas que levavam

à entrada, e disse ao jovem cavaleiro.

– Volte ao seu posto, Cristos de Peixes. Em breve eu deverei dar instruções

mais precisas a você e aos demais guerreiros de Atena. Até lá, permaneça na

12ª Casa.

– Sim, senhor.

Enquanto descia as escadas, o Grande Mestre pensava.

– “Eu não esperava que isso fosse acontecer nesta Era. Atena ainda é muito

jovem, assim como a maioria dos Cavaleiros. Se eu interpretei corretamente

os sinais que vi hoje, logo teremos de iniciar uma nova Guerra Santa, e não

será somente Atena que lutará contra esse novo adversário. Devo enviar

uma mensagem à Roma. O Papa estava certo no que me disse no último

ano: Lúcifer está prestes a voltar à Terra, e vai querer se vingar de Atena por

ter ajudado na luta que acarretou seu aprisionamento. Tempos negros nos

esperam.”

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